Infertilidade pode ser definida como a inabilidade de um casal sexualmente ativo de estabelecer gravidez dentro de um ano, período no qual por volta de 90% dos casais o fazem. Trata-se de um fenômeno universal que atinge aproximadamente 8 a 15% dos casais1. A infertilidade acomete homens e mulheres na mesma proporção, tendo as suas causas em diversos fatores.
A infertilidade masculina afeta 10% dos casais em idade reprodutiva em todo o mundo. Os fatores internos ou orgânicos, ou seja, doenças de ordem genética e orgânicas cada vez mais têm sido diagnosticadas, no entanto existem outras etiologias bem documentadas como causadoras da infertilidade masculina.
Aqui chamadas de fatores externos, estas outras causas podem ser divididas em fatores externos de origem laboral e em não vinculados à exposição ocupacional. Entre as etiologias (causas) não vinculadas ao trabalho destacam-se as doenças sexualmente transmissíveis (DST), as doenças comportamentais (tabagismo, etilismo e estresse emocional), traumas testiculares e efeitos colaterais a outros tratamentos (quimioterapia e radioterapia, por exemplo).
Entre os fatores externos de origem laboral, dois tipos de exposição ocupacional totalizam as causas: os agentes de natureza física e os agentes de natureza química.
1. Fatores externos de origem laboral de natureza física:
Os agentes físicos possíveis de provocar infertilidade masculina são basicamente irradiação, calor e trauma. A exposição excessiva às radiações ionizantes (como o Raio-X, por exemplo) podem alterar diversas etapas na produção dos espermatozoides ou danificar o espermatozoide já pronto, o tornando menos ativo. Trabalhadores expostos às altas temperaturas (calor) correm riscos de redução da fertilidade, pois o calor excessivo pode reduzir a produção de espermatozoides. Traumatismos testiculares podem resultar em aumento da pressão intratesticular e consequente redução da drenagem venosa, o que levam a reduzir a qualidade do sêmen.
2. Fatores externos de origem laboral de natureza química:
Muitas substâncias químicas possuem o potencial de interferir no sistema endócrino, de forma transitória ou permanente, inclusive com o sistema reprodutor masculino, podendo constituir-se em fatores externos relevantes de infertilidade masculina. Exposições a substâncias relacionadas à ocupação como agrotóxicos, bifenilas policloradas (PCBs), dioxinas e furanos, etanol, fenóis, ftalatos, metais como cádmio, chumbo, mercúrio e solventes orgânicos são associadas a infertilidade masculina. Os principais efeitos devidos à exposição às substâncias químicas sobre a fertilidade masculina são a redução na contagem e qualidade do esperma. Importante mencionar que estudos apontam que mulheres expostas a estes produtos durante a gestação podem resultar em infertilidade dos filhos.
A infertilidade masculina é uma queixa específica de uma faixa etária, contudo pode comprometer desde o nicho familiar até toda sociedade, visto que pode refletir na taxa de crescimento demográfico. Reforça-se a importância da Saúde Pública porque esta permite o relacionamento da saúde do trabalhador com o ambiente e sociedade. Nesse contexto, evidencia-se a necessidade da tomada de medidas no âmbito da saúde dos trabalhadores, incluindo a educação permanente dos trabalhadores, o treinamento dos profissionais quanto ao uso de EPIs e o interesse dos empregadores em reduzir a produção de resíduos químicos e minimizar a exposição ocupacional destes trabalhadores.
Bibliografia:
1. Pasqualotto Fábio Firmbach. Investigação e reprodução assistida no tratamento da infertilidade masculina. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. [Internet]. 2007 Feb [cited 2020 Nov 11] ; 29( 2 ): 103-112. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-72032007000200008&lng=en. https://doi.org/10.1590/S0100-72032007000200008.
2. QUEIROZ, Erika Kaltenecker Retto de. Exposição ocupacional a interferentes endócrinos e efeitos sobre o sistema reprodutor masculino. 2005. 62 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2005. https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/5239/2/671.pdf