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Como diminuir a incidência das doenças laborais e prevenir litígios?

Como diminuir a incidência das doenças laborais e prevenir litígios?

Quando se trata de diminuir a incidência, ou seja, a ocorrência de novos casos, de uma determinada doença e a prevenção de litígios entre empregados e empregadores devemos ter em mente que estamos falando de um ambiente de trabalho saudável, o qual segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, “é aquele em que os trabalhadores e os gestores colaboram para o uso de um processo de melhoria contínua da proteção e promoção da segurança, saúde e bem-estar de todos os trabalhadores e para a sustentabilidade do ambiente de trabalho”.

Tendo em vista este cenário ideal de ambiente saudável, podemos didaticamente dividi-lo em quatro grandes áreas, que mobilizadas da forma correta podem atuar como fatores de proteção da saúde mental (e física) dos trabalhadores. São eles:
• ambiente físico de trabalho - Refere-se à estrutura física do ambiente bem como os processos de produção;
• ambiente psicossocial de trabalho - Inclui a cultura organizacional, atitudes, crenças e práticas cotidianas que podem afetar o bem estar mental e físico;
• recursos para a saúde pessoal - Refere-se aos serviços de saúde e promoção da saúde (física e mental) no ambiente de trabalho; e
• envolvimento da empresa na comunidade - Refere-se às atividades ou conhecimentos e recursos que podem prover para apoiar o bem-estar físico e social das comunidades em que atua.

Para melhorar a compreensão, veremos cada uma dessas áreas focando em ações protetoras para a saúde dos empregados:

1. Ambiente físico:
São ações que visam minimizar aspectos relacionados aos perigos e riscos decorrentes do ambiente físico de trabalho. As boas práticas recomendam manter sempre atualizados os documentos legais (PPRAs – Programas de Prevenção de Riscos Ambientais, PCMSOs – Programas de Controle Médico em Saúde Ocupacional, laudos diversos), como forma de reconhecer, avaliar e controlar os riscos, respeitando a hierarquia de processos, cujas principais etapas são: (1) Eliminação ou substituição da fonte de risco; (2) Controles de Engenharia; (3) Controles administrativos; e (4) Equipamentos de Proteção Coletivas (EPC) e Individual (EPI)

2. Ambiente psicossocial:
São ações que visem melhorar a organização de trabalho ineficiente (demandas possíveis de serem realizadas dentro de prazos adequados; clareza do trabalho executado; flexibilidade nas decisões; atitudes que melhorem a comunicação entre as equipes e dentro das próprias equipes de trabalho), melhorias contínuas na cultura organizacional (evitar medidas de intimidação, violência e assédio; criação de políticas internas para reduzir a discriminação de gênero, etnia ou religiosa; estimulação e apoio a estilos de vida saudáveis), fortalecimento de uma gestão de comando e controle saudável (consultar a opinião dos empregados a respeito de uma determinada mudança; prestação de feedbacks construtivos; cobranças de resultados e desempenhos de forma educada), e sempre que possível reduzir a crença e o medo da perda do emprego.


3. Recursos para a saúde pessoal:
Muito mais do que cofinanciar um plano de saúde para o empregado, as ações neste campo visam fortalecer a atuação das equipes de saúde e segurança da empresa, tendo como meta principal uma transformação do ambiente de trabalho em um espaço promotor de saúde e atividades preventivas.

4. Empresa na comunidade:
Tendo em vista que as empresas impactam diretamente na comunidade onde estão inseridas e que, proporcionalmente, a comunidade impacta nas empresas que nela se inserem, fica claro que ações que visem melhorias na relação empresa-comunidade influenciam diretamente em fatores que afetam a saúde (física e mental), a segurança e o bem estar dos trabalhadores e seus familiares.

Além da responsabilidade do empregador em aderir às ações que visem um ambiente saudável de trabalho, é imprescindível compreender que o empregado também é responsável pela sua própria saúde e pelo ambiente onde está inserido, incluindo o próprio ambiente de trabalho. Neste raciocínio, devemos considerar fatores pessoais nessa complexa interação. Como fatores pessoais, destacam-se: aspectos biogenéticos dos trabalhadores (sexo, idade, histórico familiar, deficiências, etc), aspectos comportamentais (adesão a programas de promoção de saúde, tabagismo, etilismo, etc) e aspectos psicológicos (otimismo, criatividade, habilidades interpessoais, ansiedades, habilidades em lidar com estresse e pressões, etc).

Da mesma forma que as empresas, os trabalhadores podem, e devem, elaborar mecanismos ou ações protetoras para a sua própria saúde dentro das possibilidades individuais. Consultas médicas periódicas, adesão completa aos tratamentos indicados, prática regular de atividades físicas (se possível sob orientação do médico e educador físico), prática regular de hobbies (leitura, coleções, vídeo-game, etc), atividades voluntárias na comunidade em que reside, prática da religiosidade e espiritualidade são exemplos de ações promotoras de saúde que podem ser realizadas por todos.

O entendimento e a adesão a esses princípios evita afastamentos e incapacidades para o trabalho, minimiza os custos com saúde e os custos associados com a alta rotatividade, tais como treinamento, e causas trabalhistas. Em outras palavras, tanto o empregador quanto o empregado se beneficiam nesta saudável relação, afinal não existe meio ambiente do trabalho sem trabalhador, tampouco trabalhador sem meio ambiente do trabalho.


BIBLIOGRAFIA
1. Saúde mental e trabalho / Organização de Denise Razzouk, Mauro Gomes Aranha de Lima e Quirino Cordeiro. São Paulo: Conselho Regional de Medicina do Estado deSão Paulo, 2015. 312p. http://www.cremesp.org.br/library/modulos/publicacoes/pdf/Saude_mental_e_trabalho.pdf

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