Blog

Assédio Moral e suas consequências visto pelo prima da Psiquiatria - Por Dr. Rodrigo Tramontini


O assédio moral é uma conduta abusiva, de natureza psicológica, que ataca a dignidade psíquica de forma repetida e prolongada e que expõe o trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras. Também chamado de mobbing (do verbo inglês to mob, que significa cercar ou assediar), esse tipo de assédio é um fenômeno bastante comum em ambientes de trabalho de todo mundo e sua prevalência tem aumentado significativamente nas últimas décadas. Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 5% dos trabalhadores europeus foram vítimas de assédio moral no ano de 2016. Já nos EUA, a prevalência chega a 50 % em alguns estudos.
No Brasil, estudos sobre saúde mental e a experiência clínica mostram que o problema também é bastante comum, sendo um importante fator desencadeante de sofrimento psíquico e de transtornos psiquiátricos em nosso meio. Consequências do assédio moral para a saúde mental incluem transtornos de ansiedade (como fobia social, ansiedade generalizada, transtorno de pânico e estresse pós-traumático), transtornos depressivos, sintomas psicossomáticos (tontura, doenças de pele, dores no corpo, gastrite, diarreia, aumento da pressão arterial, etc) e abuso ou dependência de substâncias como álcool, tabaco e sedativos (os famosos “faixas preta”), todos afetando significativamente a qualidade de vida de vida do trabalhador, encarecendo seu custo de vida e contribuindo enormemente para afastamentos do trabalho e para o agravamento de outras doenças. Além disso, é um dos principais fatores desencadeantes de conflitos domésticos e de suicídios entre trabalhadores.
O assédio moral pode ocorrer quando existe um preconceito contra a pessoa, geralmente por conta de uma recusa em aceitar uma característica pessoal (sexo, origem, crenças políticas, éticas ou religiosas, orientação sexual, idade, debilidade física, etc). Também pode ocorrer quando ocorre inveja, ciúmes ou competição acirrada contra um colega, de acordo com sua aparência, personalidade, nível econômico, habilidades, educação ou salário, por exemplo. Também é frequente que a vítima seja responsabilizada ou taxada de alguém de “difícil convivência” quando se queixa do assédio.
Fatores pessoais que aumentam o risco de sofrimento em situações desse tipo incluem baixa autoestima, alta sensibilidade a rejeição e comprometimento excessivo como trabalho. Com bastante frequência, a vítima evita falar sobre o assunto no ambiente de trabalho e pode passar a acreditar que os agressores têm razão em assediá-la, em uma tentativa de se proteger, de manter seu emprego ou de concordar com o grupo para que este volte a aceita-la. O fortalecimento de crenças pessoais de desamparo, de desvalia e de inadequação pode levar a comportamentos autodestrutivos e à ideação suicida.
É comum que o assédio parta de alguém da equipe que está em um cargo superior e o comportamento seja imitado por outros colegas, na tentativa destes de agradar o agressor ou de se proteger contra agressões semelhantes; porém, o assédio moral também pode ocorrer entre colegas com o mesmo cargo e também pode ser direcionado contra o próprio empregador. De qualquer forma, o desejo do agressor é dominar ou controlar a vítima abalando sua estrutura emocional, geralmente com a intenção de obter alguma vantagem junto ao grupo social, à empresa ou ao empregador.
Exemplos de assédio moral contra o trabalhador incluem, entre outros:
• Comentários maliciosos ou fofocas relacionadas a características ou a dados de sua história pessoal
• Calúnias voltada para difamar a sua imagem
• Insultos e xingamentos
• Exclusão de trabalhos ou tarefas ou direcionamento para atividades inferiores
• Remoção de tarefas apreciadas pela pessoa e nas quais ela é competente
• Não fornecer ferramentas ou esconder informações necessárias para a execução de uma tarefa
• Exclui-lo das informações sobre desenvolvimento de projetos
• Observá-lo de maneira muito próxima com o objetivo de deixa-lo tenso e ansioso
• Exclusão do grupo e dos colegas, inclusive com confinamento em espaços separados dos demais
• Ignorá-lo durante reuniões ou agir como se ele não estivesse presente
• Recusar férias ou dá-las na “última hora”
• Ameaças de sanções disciplinares, de demissão ou cancelamento de bonificações
Vítimas de assédio moral devem procurar ajuda fora do seu ambiente de trabalho, com organizações sindicais, com médicos, com psicólogos, e, especialmente, com advogados. Por outro lado, as consequências emocionais do assédio devem ser sempre avaliadas e tratadas por um profissional de saúde mental capacitado, como um psiquiatra ou psicólogo. Acima de tudo, é necessário prevenir e reportar esse tipo de conduta, a fim de impedir sua propagação e proteger a saúde física e mental do trabalhador e de sua família.
Na próxima sexta feira vamos analisar o tema sob o viés do funcionário público.
Gostou do artigo? Compartilhe a informação e interaja conosco no Instagram e no Facebook - @marinadvocacia

Fale com a advogada

Entre em contato conosco para obter mais informações sobre nossos serviços.